Artigos

Liderança Situacional – Conceitos Básicos

Liderança situacional

A liderança situacional é uma das teorias mais interessantes e indica ao líder como ele deve ser comportar com cada liderado, de acordo com sua maturidade.

Os fins não são nada sem os meios

Ovidio autor romano
Publius Ovidius Naso

A frase descrita acima em sua ordenação original “Os fins justificam os meios” foi descrita por Ovídio – Publius Ovidius Naso, em latim -, autor romano, na obra de Heroides – Heroidas; em latim -, em que se transmitia a concepção que os líderes (governantes das províncias) deveriam estar acima da ética dominante para a todo custo manter ou aumentar seu poder original concebido a ele pelo Império Romano.

Caso trouxermos para os tempos modernos, a frase em sentido original remonta aos anseios da liderança clássica na busca exclusiva do poder autocrático, da imposição de autoridade e da tomada de decisões para o alcance de objetivos, metas e resultados traçados por ele. Logo, sem consideração de qualquer atividade-meio, inclusive, quanto ao conhecimento, habilidade, ou competência dos subalternos envolvidos no processo organizacional.

Desde a compreensão do homem como um “Ser social” não é mais aceito a condução de ações por mera imposição de vontades como era evidente no período da obra romana.

Por conseguinte, as organizações passaram a estudar mecanismos de enfatizar a importância da força produtiva – os trabalhadores – sem comprometer com os resultados organizacionais e, ainda, buscar os anseios dos liderados.

O início das primeiras teorias

Segunda Revolucao Industrial

No entanto, os primeiros estudos de liderança remontam ao início do século XX – período em que decorria a 2ª revolução industrial – o que freou os avanços dos estudos, principalmente, em relação aos pontos que envolviam a melhora de condições de trabalho, a valorização das pessoas e a retribuição do esforço coletivo.

Por volta da década de 30, as primeiras teorias surgiram com ênfase nas pessoas e na transformação do ambiente organizacional, justamente, com o objetivo de aprimorar as péssimas condições de trabalho vivenciadas pelos trabalhadores nas décadas anteriores, mas também com o objetivo de criar mecanismos de incentivos mistos em prol do aumento da produtividade individual e coletiva, ou seja, valorizando o trabalhador por seus resultados tanto em aspectos materiais quanto em aspectos sociais e/ou simbólicos.

Um Líder a frente do seu tempo

Veja que a teoria da liderança contingencial desenvolvida, no início da década de 60, por Fiedler, destacava o papel do gestor como um centralizador na tomada de decisão, em razão da relação funcional entre as condições do ambiente e as estruturas organizacionais, perante as variáveis que podem influenciar o alcance eficaz dos objetivos. Aliás, as características ambientais funcionam como variáveis independentes, enquanto as características organizacionais correspondem às variáveis dependentes do processo decisório do líder.

Boas Condicoes De Trabalho

No final da década, Blanchard e Hersey, desenvolveram o conceito da liderança situacional a partir da teoria de Fiedler, porém introduzindo valiosas alterações no modelo de liderança. Essas alterações influenciam diretamente no estilo de comando que visa à valorização das pessoas e das condições de trabalho disponíveis na execução das tarefas tanto em relação ao ambiente quanto ao clima organizacional, a infraestrutura, a ergonomia, a segurança, a saúde e a tecnologia. Mas também em relação a assuntos motivacionais que torne os indivíduos mais produtivos, ou pela maturidade do indivíduo ou através do engajamento com o líder e o posicionamento e a influência deste no processo gerencial.

Aliás, o aspecto mais revolucionário dessa teoria está relacionada à crença que cada atitude e postura adotada pelo líder será ponderada em razão da circunstância envolvida naquele momento.

Todavia, as ocorrências deverão ser avaliadas e ponderadas de modo a filtrar de acordo com a gravidade, a urgência, a tendência, as pessoas e outros elementos que envolvem cada situação, para que assim o líder seja plenamente capaz de dirigir as ações a serem executadas pelos demais.

Produtividade é influenciada na liderança situacional?

Produtividade pela liderança situacional

O poder da influência, paradoxalmente, nasce da percepção e do respeito às características individuais daqueles que circundam o líder.

Ao considerarmos a liderança como sinônimo da motivação, o líder perceberá a necessidade de enfatizar a diferença entre o comportamento condicionado por motivadores extrínsecos, ou seja, motivação desenvolvida pelo incremento de regalias ou vantagens; perante o comportamento condicionado por motivadores intrínsecos que corresponde ao estímulo do indivíduo na valorização das próprias predisposições internas.

Assim, veja que a motivação de um funcionário refletirá proporcionalmente na quantidade de tempo e atenção que será destinada a execução daquela atividade. Portanto, o caráter intrínseco enfatiza o surgimento das necessidades primárias, como: moradia, alimentação, higiene, saúde, segurança, ou seja, àquelas correspondentes à base da pirâmide de Maslow.

Ao satisfazer isso, os líderes terão oportunidade e espaço para estimular, incentivar e provocar a motivação dos colaboradores a novos patamares.

A influência da maturidade na liderança situacional

A teoria da liderança situacional também transmite a concepção que não existe apenas um único estilo de liderança capaz de influenciar a conduta dos colaboradores, mas, sim, que cada estilo poderá ser alterado de acordo com o grau de maturidade das pessoas envolvidas no processo e que compõem a equipe.

Devido a grande diversidade cultural, de personalidades, religiosa, de gênero e idade das pessoas nas organizações, os líderes se depararam com equipes compostas por pessoas totalmente diferentes, cada uma delas com habilidades específicas, com capacidades técnicas que influenciam diretamente a maturidade no trabalho e as capacidades interpessoais e intrapessoais distintas, como a comunicação; flexibilidade; paciência; resiliência; escuta ativa que define a maturidade psicológica, ou seja, essas estão atreladas a tendência de assumir maiores responsabilidades na organização.

Diagrama da liderança situacional

O modelo demonstrado pela figura acima, baseia-se na combinação dos níveis de maturidade dos liderados descritos na escala de (M1, M2, M3 e M4) e do estilo de liderança na escala de [E1, E2, E3 e E4], sendo essas combinações de comportamento retroagidos para a tarefa ou para o relacionamento.

Assim, os níveis de maturidade considerados dentro da teoria da liderança situacional são:

  • M1 – Equivale aos funcionários despreparados e imaturo para ter responsabilidades em relação à tarefa;
  • M2 – Equivale aos funcionários que não tem capacidade técnica para executar as tarefas, porém com alta disposição e motivação a atender os pedidos do líder;
  • M3 – Equivale aos funcionários com capacidade técnica, mas que estão sem disposição e sem motivação para atender os pedidos do líder;
  • M4 – Equivale aos funcionários extremamente capacitados e motivados para a realização das tarefas.

Estilos de Liderança

O líder ao identificar que o profissional está no nível de maturidade M1 – indivíduo imaturo e desprovido de capacidades técnicas e psicológicas – deverá adotar o estilo “Determinar” [E1] e ser bem objetivo quanto as tarefas a serem executadas e como deverão ser feitas. Inclusive, determinando quais ferramentas deve se utilizar, o tempo de entrega, as etapas dos processos que envolvem à tarefa.

Quando o liderado alcança o nível M2, ou seja, sem capacidade técnica requerida para a tarefa, mas com alta disposição e motivação – o líder precisará também adotar um comportamento objetivo. Porém, adotando o estilo “Persuadir” [E2], no qual ele oferece apoio para a execução da atividade relacionada a capacidade técnica, enquanto o liderado permanece motivado durante o aprendizado da tarefa.

No nível de maturidade M3 o funcionário demonstra que já está suficientemente capacitado para executar as atividades e tarefas. Contudo, não estão mais dispostos a seguir criteriosamente as mesmas regras que foram propostas no início pelo líder. Portanto, ele deverá adotar uma postura que dê mais liberdade e flexibilidade aos liderados para a execução das tarefas desde que não prejudique os processos e resultados. Logo, o líder estará utilizando o estilo “Compartilhar” [E3] em razão da compreensão plena dos processos pelos liderados.

Todavia, quando o funcionário está plenamente maduro, M4, ou seja, possui todas as capacidades técnicas e psicológicas, o líder apenas precisará delegar as taferas – adotar o estilo “Delegar” [E4] – para que o liderado atue com autonomia e responsabilidade em toda atividade a ser executada.

Logo, quanto maior a maturidade das pessoas que compõe a equipe mais dinâmica a atuação do líder como um “facilitador”, ou seja, como um elemento viabilizador de mecanismos colaborativos para a entrega de performance de modo ao aproveitamento máximo das potencialidades (competências em potencial) de cada integrante da equipe, sendo também um conciliador ativo entre os objetivos organizacionais (coletivos) e àqueles relativos a cada profissional da organização.


Videoaula de Liderança Situacional


Antes de você ir

Se você curtiu esse artigo, te convido a comentar e a ler outro artigo interessante:

Revisão de Estudos para Concursos

Caso tenha interesse na explicação de outros assuntos sinta-se à vontade de solicitá-los através das minhas redes sociais disponibilizadas nos links abaixo.

Abraços,

Thiago Colella

Publicado em: 21 de maio de 2021



3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *