O sistema Just in Time (JIT) é uma filosofia de produção que busca a eliminação dos desperdícios no processo total de fabricação[1]. Decerto, o próprio nome já indica sua lógica: nada deve ser comprado, produzido ou transportado antes da sua “hora certa”.
Entretanto, qual seria essa hora certa? Ora, quando o cliente demande aquele produto final específico. Assim sendo, a fábrica só comprará o material do fornecedor quando ele for necessário no processo produtivo. Do mesmo modo, só produzirá o produto quando ele for demandado pelo cliente.
Origem do Just in Time
Inicialmente, sua introdução foi na empresa Toyota nos anos 50. Todavia, foi criada dentro de um cenário de reconstrução econômica pós-guerra e de uma busca para reduzir os desperdícios[2].
Muitos associam o Just in Time a o “sistema Toyota” de produção (Toyotismo). Em suma, o sistema Just-in-time foi uma revolução na gestão de materiais, pois trouxe uma nova visão para o processo produtivo.
Por outro lado, o sistema tradicional, de “empurrar” a produção para frente, deixou de ser visto como interessante nestes novos tempos de globalização e mercados cada vez mais competitivos.
Em outras palavras, nele eu produzo e depois vejo como farei para vender para o cliente,
Portanto, após a introdução do JIT no Japão muitos fabricantes passaram a adotar essa filosofia gerencial. De acordo com o Just-in-time, o processo produtivo se inverte.
Logo, só é produzido o que já tem demanda certa. Desta maneira, é conhecido como um sistema que “puxa” a produção.
Just in Time e o relacionamento de longo prazo
Continuando, para que este sistema funcione é necessária uma nova mentalidade de trabalho. Certamente, as empresas devem deixar a disputa com seus fornecedores e buscar parcerias e trocas de informações. Decerto, isso era antes impensável nesta relação entre os fornecedores e clientes dentro da cadeia de produção[3].
Enfim, a competição no relacionamento entre comprador e vendedor deve dar lugar à colaboração. Concluindo, o objetivo é conseguir maior integração entre os parceiros e uma sinergia neste relacionamento.
De acordo com Martins e Laugeni[4],
“O conceito de JIT se expandiu, e hoje é mais uma filosofia gerencial, que procura não apenas eliminar os desperdícios, mas também colocar o componente certo, no lugar certo e na hora certa. As partes são produzidas a tempo de atenderem as necessidades de produção, ao contrário da abordagem tradicional de produzir para caso as partes sejam necessárias. O JIT leva a estoques bem menores, custos mais baixos e melhor qualidade que os sistemas convencionais.”

Just in time na prática
Por exemplo, imagine que você trabalhe em uma montadora de automóveis. Certamente, você não quer um estoque grande dentro de sua fábrica, pois isto acarreta custos (como já vimos antes).
Entretanto, para que seja possível ao seu fornecedor lhe entregar todos os dias os itens de que você precisará, é necessário que ele tenha tanto garantia de que você comprará dele. Da mesma forma, ele precisa saber quantos itens serão necessários.
Ou seja, ele deve conhecer, a fundo, as necessidades do seu processo produtivo.
Em outras palavras, neste sistema o seu fornecedor deve ser encarado como parceiro e não como adversário. Assim, ele ganhará no volume e na garantia de te ter como cliente.
Por outro lado, você terá uma confiabilidade maior no fornecimento que te possibilitará ter poucos estoques de segurança.
Desta maneira, este método acarreta uma diminuição tremenda dos estoques, pois a empresa recebe constantemente os materiais de que necessitará, muitas vezes diariamente.
Objetivos do Just in Time
Continuando, de acordo com Dias os objetivos do Just in Time são[5]:
- Minimização dos prazos de fabricação dos produtos finais, mantendo-se inventários mínimos;
- Redução contínua dos níveis de inventário através do enfrentamento dos problemas da manufatura;
- Diminuição dos tempos de preparação de máquina, a fim de flexibilizar a produção;
- Redução ao mínimo do tamanho dos lotes fabricados, buscando sempre o lote igual à unidade;
- Liberação para a produção através do conceito de “puxar” estoques, ao invés de “empurrar”, em antecipação à demanda;
- Flexibilidade da manufatura pela redução dos tamanhos dos lotes, tempos de preparação e tempo de processo.
Vantagens do Just in Time
Existem várias vantagens que o sistema Just in Time proporciona às empresas que os utilizam. As principais vantagens buscadas pelas instituições são:
- Diminuir o risco de superprodução – com a produção puxada, o risco de ficarmos com estoques de produtos finais é pequeno;
- Reduzir o tempo de espera – tempo de ressuprimento é reduzido;
- Redução de custos – com um nível menor de estoques e maior qualidade no processo produtivo;
- Redução de estoques – redução de custos com estoques em toda a cadeia produtiva;
- Maior flexibilidade – coma redução dos estoques, um produto pode ser retirado de produção ou ser modificado com mais facilidade e sem gerar componentes não utilizáveis;
- Maior resposta ao mercado – com a produção puxada, qualquer mudança de hábito de consumo pode ser atendida de forma mais rápida.
Just in Time vs Just in Case
Frequentemente, comparamos o sistema Just in Time com o sistema tradicional, também chamado de Just in case. Em outras palavras, Just in case seria algo como: “só por precaução”.
Afinal, a vantagem de ter maiores estoques é ter mais “gordura”, mais reservas no caso de um atraso do fornecedor.
Anteriormente, vimos as vantagens do Just in Time. Entretanto, existem riscos. Ao trabalhar com estoques mínimos, qualquer problema no fornecimento dos materiais pode impactar no processo produtivo, chegando até a parar toda a produção.
Já com o sistema tradicional, em que temos estoques de segurança no inventário, temos mais custos. Entretanto, temos também mais segurança com as incertezas dos nossos fornecedores.

Kanban
Kanban é um termo japonês que significa cartão e é utilizado para indicar um momento de atenção para a reposição de estoque[6]. O Kanban funciona como um subsistema do Just in Time, mas os termos não são sinônimos.
Mas, e como isto funciona? Ora, o Kanban é muito simples. Cada posto de trabalho trabalha com uma placa ou cartela. Assim que este posto fica sem material para trabalhar (insumos), é levantada uma placa por algum funcionário do posto indicando que este posto precisa ser reabastecido.
Os funcionários do posto de trabalho imediatamente anterior entregam mais materiais, vendo que o posto seguinte na linha de montagem está necessitando de materiais. Este sistema funciona, portanto, como um sistema de sinalização para todos na linha de produção que algum “ponto” na linha de montagem precisa de materiais.
Para Martins e Laugeni[7],
“O objetivo do sistema é assinalar a necessidade de mais material e assegurar que tais peças sejam produzidas e entregues a tempo de garantir a fabricação ou montagem subsequentes. Isto é obtido puxando-se as partes na direção da linha de montagem final.”
Portanto, o Kanban informa para todos os postos de trabalho o que deve ser fornecido. Do mesmo modo, informa quando deve ser fornecido. Finalmente, diz quantas unidades deve-se fornecer e produzir.
Assim as vantagens do sistema Kanban são[8]:
- Sistema em tempo real de ordenamento de compras e produção;
- Transferência para o chão-de-fábrica ou para o almoxarifado da responsabilidade pela emissão de ordens de compra ou produção;
- Redução da burocracia de emissão de ordens computadorizadas.
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[1] (Pozo, 2017)
[2] (Martins e Laugeni 2005)
[3] (Rennó 2013)
[4] (Martins e Laugeni 2005)
[5] (Dias, 2009)
[6] (Accioly, Ayres e Sucupira 2008)
[7] (Martins e Laugeni 2005)
[8] (Accioly, Ayres e Sucupira 2008)




2 Comentários
Sempre disponibilizando contéudo eficaz para o processo de aprendizagem. A literatura de administração tem sido muito vasta e nós concurseiros temos muitos desafios, obrigada pela sua contribuição.
Obrigado, Rosilene!